A solidão não é apenas a ausência de corpos, mas o eco ensurdecedor de vozes que já partiram. É acordar em um mundo onde o calor humano foi substituído pelo frio implacável de uma manhã de inverno. Como Tanjiro ao descer a montanha, carregamos o carvão de nossas memórias para tentar aquecer uma casa vazia. Mas o fogo não acende quando não há para quem sorrir através do crepitar das chamas. Viver sem ninguém é caminhar por uma trilha onde seus próprios passos são sua única companhia e tormento. O cheiro da perda se impregna na alma com tanta força que mascara o perfume da vida que antes existia ali. Olhar para o lado e ver apenas o vazio é perceber que nossa existência perdeu sua principal testemunha. Somos seres forjados no afeto compartilhado; sem ele, a espada de nossa vontade enferruja lentamente. A filosofia do silêncio nos ensina que a dor mais profunda e verdadeira não grita, ela apenas respira devagar. É uma respiração constante, dolorosa e gélida, que corta os pulmões como a neve impiedosa daquela montanha trágica. Tanjiro chorou sobre a neve tingida de vermelho, mas e quando a neve que nos cerca é apenas branca e indiferente? E quando não há sequer um fardo amado para carregar nas costas, nenhum propósito que justifique a longa jornada? O peso de não ter ninguém é como segurar o céu inteiro em ombros que jamais conhecerão o conforto de um abraço. As noites se tornam oceanos onde o barco de nossa mente flutua à deriva, sem qualquer farol...
Entre para responder a este texto.
Respostas (0)
Nenhuma resposta ainda.